Quinta resenha dos livros da saga do Mochileiro das Galáxias. Leia as outras aqui.


Alerta: Este texto contem spoilers.

Ficha técnica

Capa do livro

  • Título: Praticamente Inofensiva
  • Série: O Mochileiro das Galáxias - Volume 5 da trilogia de quatro cinco
  • Autor: Douglas Adams
  • ISBN: 978-85-99296-61-5
  • Editora: Sextante, Rio de Janeiro
  • Sinopse: Depois de muitos anos, Arthur Dent, Tricia McMillan e Ford Prefect se reencontram. Mas o que devia ser uma festejada reunião de velhos amigos se transforma numa terrível confusão que põe em risco a vida de todos.

Resenha

Apesar de sua narrativa mais sóbria e pessimista, Praticamente Inofensiva não decepciona e dá um desfecho digno à saga iniciada O Mochileiro das Galáxias, surpreendendo no final que Douglas Adams construiu para seus personagens e sem deixar nenhuma “ponta solta” na trama.

No seu último livro para a série, o autor evolui muito cada um dos personagens, mostrando como as suas aventuras pela Galáxia influenciaram suas vidas, antes do fatídico desfecho que os esperava. Destaque aqui para as duas versões de Tricia McMillan, ambas descontentes com as escolhas que tomaram em suas vidas, cada uma delas almejando a vida que a outra tem, mas não gosta.

Também destaca-se, como nos outros livros do Mochileiro das Galáxias, a capacidade de fazer o leitor atento refletir. O principal ponto com essa característica em Praticamente Inofensiva é o paralelo feito entre os grebulons e a humanidade, que se vale de superstições e crenças surreais para tomar decisões importantes, o que inevitavelmente trará consequências desastrosas1.

Ao longo do livro, o peso do fim nem um pouco feliz da obra se mostra presente no destino de vários itens marcantes da série, como o próprio Guia, comprado pelos vogons e com a, no mínimo desagradável2, versão 2.0 do mesmo. Contudo, vários pontos muito divertidos também estão presentes em Praticamente Inofensiva, sendo digno de nota o “Bar & Restaurante Domínio do Rei”, com o Rei cantando seus maiores sucessos.

Entretanto, até mesmo na hora de dar um fim triste e dramático para os seus personagens, o autor usou de ironia e muito bom humor — como com a inesperada resposta ao significado de Stavromula Beta3 — o que torna ainda mais triste este ser o último livro da saga escrito por Adams.

Excerto

Arthur estava se sentindo um pouco perdido. Havia toda uma Galáxia de coisas lá fora à sua disposição e ele se questionava se era mesquinho de sua parte reclamar da falta de apenas duas coisas: o mundo no qual nascera e a mulher que amava.

  1. Apesar de, neste caso, os vogons estarem por trás de tudo. 

  2. Desagradável do ponto de vista dos personagens. Do ponto de vista do leitor que acompanha a história, trata-se de uma boa sacada do autor. 

  3. Que na realidade se escreve “Stavro Mueller Beta”.