Alerta: O seguinte texto contem spoilers.

Capa do livro

Uma continuação extremamente satisfatória do Guia do Mochileiro das Galáxias. No geral, o livro mantém o mesmo estilo e ritmo da primeira obra, sendo uma continuação imediata deste. O humor sagaz de Douglas Adams usado de forma tão perspicaz para, a partir de uma história fantástica, fazer uma crítica muito bem humorada à nossa sociedade foi novamente o ponto forte do livro.

Das diversas sutis críticas sociais que O Restaurante no Fim do Universo levanta, ganha destaque o homem que rege o Universo. Um homem totalmente cético, acima de qualquer interferência cultural ou religiosa, que duvida da própria existência da realidade, é apontado como o ideal para governar todo o Universo.

No entanto, a estória do homem que rege o Universo (e da Pergunta Fundamental) não foi muito aprofundada, quebrando com as perspectivas que o leitor levanta, embora não tenha sido desenvolvida de modo insuficiente e tenha dado espaço para o autor explorar outros plots, como o Restaurante Milliways.

Quanto ao restaurante que fica literalmente no fim do Universo, seu uso na estória foi absurdamente inteligente. Toda a descrição do local foi perfeita, assim como a de seus frequentadores e das implicações de se viajar no tempo (ao melhor estilo Doctor Who1).

Entretanto, destaca-se ainda mais a estória do Vórtice da Perspectiva Total, que sinaliza de modo contundente que por mais amplas que sejam as nossas viagens pela Galáxia, o Universo é um lugar grande e nossa tão valorizada existência representa uma parte minúscula dele. E tudo isso sem perder o bom humor.

Outro ponto que merece ser citado é a nave do planeta Golgafrincham que, contendo todos os habitantes “inúteis” do planeta, foi mandada para se chocar contra a Terra, dando origem à raça humana. Nessa passagem vemos uma crítica inteligente que Adams faz a setores da sociedade que conseguem ser ao mesmo tempo vistos como fundamentais e irrelevantes.

Em O Restaurante no Fim do Universo, Douglas Adams conseguiu uma vez mais escrever uma obra única, capaz de divertir, fazer refletir e encantar o leitor.

Excerto

Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estrando e inexplicável.

Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.

Ficha técnica

  • Título: O Restaurante no Fim do Universo
  • Série: O Mochileiro das Galáxias - Volume dois da trilogia de cinco
  • Autor: Douglas Adams
  • ISBN: 978-85-99296-58-5
  • Editora: Sextante, Rio de Janeiro
  1. Douglas Adams foi editor de script do programa de 1978 a 1980, durante a 16ª e a 17ª temporadas da era clássica de Doctor Who, tendo escrito os arcos The Pirate Planet, Shada (nunca exibido) e City of Death (este como coautor).