Segunda resenha dos livros da saga do Mochileiro das Galáxias. Leia as outras aqui.


Alerta: Este texto contem spoilers.

Ficha técnica

Capa do livro

  • Título: O Restaurante no Fim do Universo
  • Série: O Mochileiro das Galáxias - Volume 2 da trilogia de quatro cinco
  • Autor: Douglas Adams
  • ISBN: 978-85-99296-58-5
  • Editora: Sextante, Rio de Janeiro
  • Sinopse: O que você pretende fazer quando chegar ao Restaurante do Fim do Universo? Devorar o suculento bife de um boi que se oferece como jantar ou apenas se embriagar com a poderosa Dinamite Pangaláctica, assistindo de camarote ao momento em que tudo se acaba numa explosão fatal?

    A continuação das incríveis aventuras de Arthur Dent e seus quatro amigos através da Galáxia começa a bordo da nave Coração de Ouro, rumo ao restaurante mais próximo. Mal sabem eles que farão uma viagem no tempo, cujo desfecho será simplesmente incrível.

Resenha

Uma continuação extremamente satisfatória do Guia do Mochileiro das Galáxias. No geral, o livro mantém o mesmo estilo e ritmo da primeira obra, sendo uma continuação imediata deste. O humor sagaz de Douglas Adams usado de forma tão perspicaz para, a partir de uma história fantástica, fazer uma crítica muito bem humorada à nossa sociedade foi novamente o ponto forte do livro.

Das diversas sutis críticas sociais que O Restaurante no Fim do Universo levanta, ganha destaque o homem que rege o Universo. Um homem totalmente cético, acima de qualquer interferência cultural ou religiosa, que duvida da própria existência da realidade, é apontado como o ideal para governar todo o Universo.

No entanto, a estória do homem que rege o Universo (e da Pergunta Fundamental) não foi muito aprofundada, quebrando com as perspectivas que o leitor levanta, embora não tenha sido desenvolvida de modo insuficiente e tenha dado espaço para o autor explorar outros plots, como o Restaurante Milliways.

Quanto ao restaurante que fica literalmente no fim do Universo, seu uso na estória foi absurdamente inteligente. Toda a descrição do local foi perfeita, assim como a de seus frequentadores e das implicações de se viajar no tempo (ao melhor estilo Doctor Who1).

Entretanto, destaca-se ainda mais a estória do Vórtice da Perspectiva Total, que sinaliza de modo contundente que por mais amplas que sejam as nossas viagens pela Galáxia, o Universo é um lugar grande e nossa tão valorizada existência representa uma parte minúscula dele. E tudo isso sem perder o bom humor.

Outro ponto que merece ser citado é a nave do planeta Golgafrincham que, contendo todos os habitantes “inúteis” do planeta, foi mandada para se chocar contra a Terra, dando origem à raça humana. Nessa passagem vemos uma crítica inteligente que Adams faz a setores da sociedade que conseguem ser ao mesmo tempo vistos como fundamentais e irrelevantes.

Em O Restaurante no Fim do Universo, Douglas Adams conseguiu uma vez mais escrever uma obra única, capaz de divertir, fazer refletir e encantar o leitor.

Excerto

Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estrando e inexplicável.

Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.

  1. Douglas Adams foi editor de script do programa de 1978 a 1980, durante a 16ª e a 17ª temporadas da era clássica de Doctor Who, tendo escrito os arcos The Pirate Planet, Shada (nunca exibido) e City of Death (este como coautor).