Alerta: O seguinte texto contem spoilers.

Com sua linguagem simples aliada a uma história grandiosa, O Hobbit consegue cativar o leitor da primeira até a última página. A sua narrativa é simples e construída com uma linguagem bem pessoal, ajudando a aproximar o leitor da história e de seu protagonista, Bilbo Bolseiro.

Capa do livro

Adorável e cativante, Bilbo é um personagem incrível. Típica pessoa acomodada com sua vida de conforto, mas com aquela fagulha de aventureiro – como a maior parte das pessoas. O pequeno hobbit mostra para o leitor que correr riscos, sair de sua zona de conforto e abraçar as aventuras que a vida oferece pode trazer grandes recompensas1.

Descritos detalhadamente, os cenários da história são belos, memoráveis e apresentados com um encantamento ímpar. Desta forma, a história e o mundo criado por Tolkien são apresentados com “textura”, permitindo que o leitor fique o quão imerso quanto possível na narrativa. Mesmo com as descrições, o ritmo do livro se mantém constante. Ao longo do livro, vários pontos de virada mantém o a história fluída, garantingo que a jornada até a Montanha Solitária seja tão interessante quanto o destino.

A jornada até a Montanha Solitária inclue passagens memoráveis, como quando Bilbo encontra o anel e, após uma divertida e muito inteligente disputa de advinhas com Gollum, consegue escapar dos orcs das Montanhas Sombrias. Também merece menção a Floresta das Trevas e as assustadoras aranhas que lá habitam, além dos elfos da floresta e da engenhosidade de Bilbo ao libertar os seus amigos do palácio do rei elfo.

Quando o destino é alcançado, e Bilbo e os anões finalmente se encontram com Smaug, o diálogo por charadas de Bilbo com o dragão – que lembra o encontro do hobbit com Gollum – é outro grande ponto do livro. Uma mostra de esperteza do pequeno herói e do autor. O duelo dos homens de Esgaroth com o dragão garantiu ainda um fim grandioso para o perigoso Smaug em uma cena grandioso em que Bard mata a fera com sua última flecha exatamente no ponto fraco do dragão que Bilbo reparou e que o tordo lhe mostrou2.

A chegada do exército orc faz com que o clímax do Hobbit seja surpreendente e provê um final apropriado para a história, envolvendo os personagens principais que Bilbo encontrou em sua jornada – como as Águias e Beorn.

De modo geral pode-se afirmar que O Hobbit é uma obra que prova a reputação que criou no ramo da fantasia. Sua leitura é obrigatória para todos os fãs de fantasia de alta qualidade e continuará influenciando muitas gerações de escritores e maravilhando muitas gerações de leitores.

Excerto

Numa toca no chão vivia um hobbit. Não uma toca desagradável, suja e úmida, cheia de restos de minhocas e com cheiro de lodo; tambouco uma toca seca, vazia e arenosa, sem nada em que sentar ou o que comer: era a toca de um hobbit, e isso quer dizer conforto.

A toca tinha uma porta perfeitamente redonda como uma escotilha, pintada de verde, com uma maçaneta brilhante de latão amarelo exatamente no centro. A porta se abria para um corredor em forma de tubo, como um túnel: um túnel muito confortável, sem fumaça, com paredes revestidas e com o chão ladrilhado e atapetado, com cadeiras de madeira polida e montes e montes de cabides para chapéus e casacos – o hobbit gostava de visitas. O túnel descrevia um caminho cheio de curvas, afundando bastante, mas não em linha reta, no flanco da colina – A Colina, como todas as pessoas num raio de muitas milhas a chamavam –, e muitas portinhas redondas se abriam ao longo dele, de um lado e do outro. Nada de escadas para o hobbit: quartos, banheiros, adegas, despensas (muitas delas), guarda-roupas (ele tinha salas inteiras destinadas a roupas), cozinhas, salas de jantar, tudo ficava no mesmo andar, e, na verdade, no mesmo corredor. Os melhores cômodos ficavam todos do lado esquerdo (de quem entra), pois eram os únicos que tinham janelas, janelas redondas e fundas, que davam para o jardim e para as campinas além, que desciam até o rio.

Ficha técnica

  • O Hobbit
  • Título original: The Hobbit
  • Autor: J. R. R. Tolkien
  • Publicação original: Harper Collins (1937, Reino Unido)
  • Publicação no Brasil: WMF Martins Fontes (2012, 5ª edição)
  • Tradução: Lenita Maria Rímoli Esteves
  • Páginas: 296
  1. Recompensas mais no sentido de realizações, embora o tesouro do Smaug seja bom também :) 

  2. Sou só eu ou mais alguém acha que o tordo era Gandalf?