Primeira resenha dos livros da saga do Mochileiro das Galáxias. Leia as outras aqui.


Alerta: Este texto contem spoilers.

Ficha técnica

Capa do livro

  • Título: O Guia do Mochileiro das Galáxias
  • Série: O Mochileiro das Galáxias - Volume 1 da trilogia de quatro cinco
  • Autor: Douglas Adams
  • ISBN: 978-85-99296-57-8
  • Editora: Sextante, Rio de Janeiro
  • Sinopse: Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, O Guia do Mochileiro das Galáxias vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado.

    Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect.

    A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do mochileiro das galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário.

    Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da “alta cultura” e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.

Resenha

Mesmo tentando manter o máximo de imparcialidade, me sinto obrigado a começar essa resenha afirmando que Douglas Adams conseguiu fazer de seu Guia um dos melhores livros de ficção científica de todos os tempos. A estória delirante que foi contada de modo extremamente sagaz tem muitas viradas geniais no roteiro.

O brilhantismo da obra se mostra afiado na construção dos personagens. Arthur Dent faz muito bem o papel do leitor ao longo da obra: totalmente perdido, assustado e histérico na loucura da Galáxia e da nave Coração de Ouro, e ao mesmo tempo maravilhado e seduzido pelos novos horizontes que se abriram.

Destaca-se a imensa criatividade de Douglas Adams para descrever com riqueza de detalhes, criaturas e cenários alienígenas, mas sem perder o foco da estória com as descrições nem se estender com elas por mais que o necessário.

Da mesma forma, é quase inacreditável que em um livro de pouco mais de duzentas páginas o autor tenha conseguido de modo tão completo atravessar uma gama tão grande de assuntos e gêneros, passando de críticas social à ficção científica pura (e por vezes envolvendo os dois em uma mistura absurdamente genial).

Seguindo essa tendência o livro é capaz de em um mesmo parágrafo levar o leitor às gargalhadas e ao máximo de tensão possível (ao mesmo tempo). Toda a estória é contada de modo hilariante, com sacadas cômicas geniais e viradas no roteiro capazes de deixar até os mais acostumados com estórias surpreendentes totalmente atordoados.

Considero muito inteligente também a maneira com que o autor conseguiu fechar a trama deste livro de modo satisfatório, mas permitindo e chamando a atenção para o volume seguinte, O Restaurante no Fim do Universo.

O Guia do Mochileiro das Galáxias é uma leitura obrigatória para os fãs de ficção científica e deixará ao final de sua leitura a certeza de que este é um dos melhores livros da vida, do universo e tudo mais.

Curiosidades…

…retiradas do prefácio escrito por Bradley Trevor Greive:

  • O Guia do Mochileiro das Galáxias originalmente foi escrito como uma série de rádio da BBC e depois lançado em fita cassete.
  • O autor, Douglas Adams, costuma dizer que escrevia “de forma lenta e dolorosa”, apesar de ser admirado por sua “escrita como a arte da performance”.
  • Douglas Adams participou de várias campanhas ecológicas (chegando a viajar pelo mundo com o zoólogo Mark Cawardibe).
  • Adams também era fã de tecnologia e usou a maioria dos computadores da Apple.

Excerto

Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.

Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitiva que ainda acham que relógios digitais são uma grande ideia.

Este planeta tem — ou melhor, tinha — o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.