Cinquenta anos atrás, em 23 de novembro de 1963, às 17h16min20s (UTC) a BBC exibia pela primeira vez An Unearthly Child, episódio de estreia de uma série de ficção científica com cunho educacional voltada para o público infantil chamada Doctor Who. A série – que não prometia durar mais que algumas temporadas – prosperou e se estabeleceu como o mais bem sucedido programa de ficção científica da história da televisão.

Hoje, em 23 de novembro de 2013, às 19h50 (UTC) a mesma BBC iniciará a transmissão global de The Day of the Doctor, especial do 50º aniversário de Doctor Who. De lá para cá, muita coisa mudou (e mais de uma vez), mas a essência continua a mesma: um homem/alien louco em uma caixa azul viajando pelo Universo.

Entretanto, ao longo dos 798 episódios transmitidos até agora (além das centenas de livros, audiolivros e HQs), construiu-se uma das mais ricas mitologias já vistas. Tal complexidade deve gerar pesadelos para os roteiristas (que geralmente conseguem não cometer contradições gritantes na estória), mas com certeza é um deleite para os fãs dedicados.

Contribuindo para a construção da mitologia da série, toda estória é contada em “camadas”. Cada episódio conta em primeiro plano sua própria estória, mas geralmente ajuda a construir um arco maior, que na série moderna geralmente é resolvido no final da temporada, mas ocasionalmente deixando elos para estórias cada vez mais grandiosas que formam a vida do Doctor.

Por essa grandiosidade o formato da série é quase impossível de ser esgotado, já que em cada episódio o Doctor pode se encontrar em qualquer lugar que já existiu, existe ou um dia existirá no Universo (e ocasionalmente em outros universos). O único limite que a série tem é a criatividade dos roteiristas, que por vezes podem quebrar regras da mitologia do programa, já que a regra número um de Doctor Who é muito clara: “O Doctor mente”.

De modo geral é claro que a série possui incontáveis qualidades que permitiram um tempo de exibição excepcionalmente longo para o programa e que prometem continuar atraindo as próximas gerações de fãs.