Já faz um bom tempo desde que li pela primeira vez os livros que narram as aventuras de Robert Langdon, professor de “simbologia” de Harvard e desde o primeiro contato com a obra de Dan Brown (primeiramente através da versão cinematográfica de O Código Da Vinci e depois através de O Símbolo Perdido, que me motivou a ler todos os livros do autor) tive muita admiração pelas histórias do escritor americano.

Atualmente estou relendo o O Código da Vinci e achei necessário falar um pouco sobre esse e outros livros de Dan Brown. Muitos críticos atacam as obras do autor, dizendo que ele escreve por templates, que todos os seus livros são essencialmente iguais etc. Até concordo parcialmente com eles. Mas acho que nada disso deve impedi-lo de ler Dan Brown. Inclusive Fortaleza Digital e Ponto de Impacto, publicados antes do início das aventuras de Dan Brown.

As histórias de O Código Da Vinci e companhia transbordam de informações artísticas e históricas e se passam cidades incríveis — e que quero um dia conhecer — como Paris, Veneza e Washington. Além de contarem com personagens interessantes e mistérios fascinantes.

Além disso tudo, você pode se deparar com cenas divertidas e emblemáticas como esta:

— Abrirei o portão, sem dúvida — proclamou Teabing. — Mas primeiro preciso confirmar se seu coração é sincero. Pôr sua honestidade à prova. Vai responder a três perguntas.

Langdon soltou um gemido, cochichando para Sophie.

— Seja paciente… Como já lhe disse, ele é uma figura única.

— Sua primeira pergunta — declarou Teabing, em tom de personagem épico. — Devo lhe servir café ou chá?

Langdon sabia qual era a opinião de Teabing sobre o fenômeno americano do café.

— Chá — respondeu. — Earl Grey.

— Excelente. Sua segunda pergunta: leite ou açúcar?

Langdon hesitou.

Leite — cochichou Sophie no ouvido dele. — Acho que os ingleses gostam mais de leite.

— Leite — disse Langdon.

Silêncio.

— Açúcar, então?

Teabing nada respondeu.

Espere! Langdon lembrou-se então da bebida ácida que tinha tomado na sua última visita e percebeu que a pergunta era capciosa.

Limão! — declarou. — Earl Grey com limão.

— Isso mesmo. — Agora, pela voz, Teabing estava achando graça. — E, finalmente, devo formular a pergunta mais séria de todas. — Fez uma pausa e disse em tom solene: — Em que ano um remador de Harvard conseguiu ganhar de um de Oxford nas regatas de Henley?

Langdon não fazia a menor ideia, mas só podia imaginar um motivo para Teabing lhe dirigir uma pergunta assim.

— Certamente um absurdo desses jamais aconteceu.

O portão abriu-se, com um estalido.

— Seu coração é sincero, meu amigo. Pode entrar.

Dan Brown pode até escrever por template, mas esse template é muito bom.