Terceira resenha dos livros da saga do Mochileiro das Galáxias. Leia as outras aqui.


Alerta: Este texto contem spoilers.

Ficha técnica

Capa do livro

  • Título: A Vida, o Universo e Tudo Mais
  • Série: O Mochileiro das Galáxias - Volume 3 da trilogia de quatro cinco
  • Autor: Douglas Adams
  • ISBN: 978-85-99296-59-2
  • Editora: Sextante, Rio de Janeiro
  • Sinopse: Após as loucas aventuras vividas com seus estranhos amigos em Mochileiro das Galáxias e O Restaurante no Fim do Universo, Arthur Dent ficou cinco anos abandonado na Terra Pré-Histórica. Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda acordava todas as manhãs com um grito de horror por estar preso àquela monótona e assustadora rotina.

    Talvez Arthur até preferisse continuar isolado em sua caverna escura, úmida e fedorenta a encarar a próxima aventura para a qual seria forçosamente arrastado: salvar o Universo dos temíveis robôs xenófobos do planeta Krikkit.

Resenha

A saga do Mochileiro das Galáxias é realmente surpreendente. Muito mais do que qualquer um de nós, meros mochileiros, podemos imaginar. Em A Vida, o Universo e Tudo Mais, Douglas Adams dá uma aula de como se “amarrar” um roteiro de modo criativo e competente. No terceiro livro da saga de Douglas Adams, o autor usa vários eventos isolados e aparentemente insignificantes para construir estórias surpreendentes.

Desse modo, a estória do terceiro livro da série do Guia do Mochileiro é isoladamente a melhor da saga. O principal ponto a favor disso é os vilhões. Os robôs assassinos de Krikit foram muito bem construídos e apresentados pelo autor, sendo realmente assustadores1. A ambientação do planeta Krikkit e de seus habitantes também foi muito interessante e bem apresentada.

Como resultado da boa “amarração” do roteiro achei genial a estória envolvendo Agrajag (o sujeito constantemente morto por Arthur Dent), e o grande vilão das Guerras de Krikkit ser na verdade Hactar. Outro ponto forte deste livro foi o uso muito bom dos personagens. Todos os personagens foram devidamente desenvolvidos, sem nenhum ficar mais esquecido ou então utilizado em demasia. Também foi muito bom ver Arthur e Trillian resolvendo os problemas sozinhos, sem serem apenas os “humanos”.

Vale destacar que todos os elogios que fiz aos dois volumes anteriores continuam valendo para este. Uma característica já presente volumes anteriores, mas que se fez mais marcante em A Vida, o Universo e Tudo Mais é a profunda (mas subjetiva) crítica à sociedade e aos costumes atuais. Não há como não se colocar no lugar do povo de Krikkit, que manipulado por forças externas influenciando sua política, se lançou em uma guerra infindável e injustificável, que acabaria por destruir eles próprios.

Mais uma vez termino a resenha com a certeza de que Douglas Adams foi realmente um gênio e o Mochileiro das Galáxias é uma obra obrigatória para que todos que queiram imaginar, se divertir e desenvolver uma consciência crítica (tudo ao mesmo tempo).

Excerto

O Guia do Mochileiro das Galáxias diz o seguinte a respeito de voar:

Há toda uma arte, ele diz, ou melhor, um jeitinho para voar.

O jeitinho consiste em aprender como se jogar no chão e errar.

  1. A Vida, o Universo e Tudo Mais é baseado em um roteiro nunca filmado que Douglas Adams escreveu para Doctor Who. Dito isso, é impossível não notar a enorme semelhança entre os robôs de Krikkit e os Daleks.