Fernando Miguel Hahne

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Resenhas de “Doctor Who” »

Ontem estreou a 8ª temporada moderna de Doctor Who, introduzindo Peter Capaldi no papel do protagonista desta série que já passou de meio século de exibição na TV britânica1.

Dito isso estou começando um pequeno plano de resenhar e fazer comentários aleatórios sobre cada episódio da nova temporada (e ocasionalmente sobre episódios antigos) — similarmente aos que eu faço sobre livros aqui no blog. Você pode acompanhar as resenhas no Medium e através do feed RSS.

Resenhas de “Doctor Who”


  1. Infelizmente, de modo não contínuo. 

A Sociedade do Anel

Primeira resenha dos livros de O Senhor dos Anéis. Leia também as outras resenhas e a resenha de O Hobbit.


Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu,
 Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,
Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono,
 Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.
 Um Anel para a todos governar; Um Anel para encontrá-los,
 Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.


Alerta: O seguinte texto contem spoilers.

Ficha técnica1

Capa do livro

  • Título: A Sociedade do Anel
  • Série: O Senhor dos Anéis — Volume 1
  • Autor: J. R. R. Tolkien
  • ISBN: 85-336-1516-7
  • Editora: Martins Fontes, São Paulo

Resenha

Escrita como um único livro para servir de continuação para O Hobbit a pedido da editora de Tolkien, O Senhor dos Anéis começa o seu primeiro volume, A Sociedade do Anel com a festa de 111 anos de Bilbo Bolseiro, seis décadas depois de sua jornada para a Montanha Solitária, que tem aproveitado a sua riqueza em sua velha toca juntamente com o seu sobrinho favorito e herdeiro adotado, Frodo. Uma mostra da narrativa lenta e absurdamente detalhada de Tolkien, a festa do Sr. Bolseiro é narrada com uma riqueza demasiada e serve somente para mostrar a partida de Bilbo do Condado e o efeito que o Anel teve sobre ele durante os anos — o fazendo se parecer cada vez mais com Gollum.

No entanto, a aventura que este livro se propõe a contar só começa de fato dezessete anos depois da festa do Bilbo2 com a revelação feita por Gandalf da história do anel do Bilbo. Através desta narrativa, o leitor fica sabendo que o anel que Bilbo “roubou” de Gollum não é um simples anel de invisibilidade, mas o Um Anel, artefato de extremo poder e de origem sombria que remonta ao Senhor do Escuro, Sauron. Toda essa parte é complementada pelo prefácio do livro, que explica a discrepância entre a primeira e a segunda edição de O Hobbit3.

Apesar de já ter sido muito discutido em inúmeras outras resenhas, não tem como citar o O Senhor dos Anéis sem falar da riqueza de detalhes, especialmente nas descrições.

O conselho de Elrond em Valfenda é outra provação para o leitor. Apesar de lotada de informações, a reunião da Sociedade do Anel é um exemplo de como a narrativa escolhe geralmente um tom passivo, escolhendo a visão de um narrador impessoal, mesmo quando um dos personagens que está narrando a sua história. Igualmente, vários personagens que não tinham sido apresentados aparecem do nada nesta reunião. A reunião da sociedade em Valfenda é também um bom exemplo dos diálogos imensos protagonizados por personagens com pouca personalidade sendo que é difícil distinguir quem está falando sem que o texto indique claramente.

A partir desta parte, a história cria ritmo e se desenvolve de modo mais bem interessante. Apesar de as descrições continuarem o seu estilo usual, a beleza do universo criado por Tolkien começa a se destacar e as aventuras dos personagens passam a ocupar a maior parte da narrativa, tornando o livro bem mais fluído e menos trabalhoso de se ler.

Essa segunda parte inclui a memorável passagem da sociedade através das Minas de Moria, com a batalhas contra orcs e culminando com o espetacular duelo entre Gandalf e o balrog. Depois desta passagem marcante, Frodo e companhia se dirigem a Lórien, onde encontram Galadriel. Tanto o lugar quanto esta nova personagem são mostrados com uma beleza descritiva sem igual, conseguindo transmitir claramente a própria beleza do local e da senhora dos elfos.

Próximo ao final do livro, os personagens fazem parte de sua travessia a barco (uma mudança bem vinda) e começam e ver os sinais que Gollum que os vem perseguindo, aproximando mais O Senhor dos Anéis de O Hobbit (outra mudança bem vinda).

Apesar de o livro não contar com um final propriamente dito4, ele se encerra de modo brilhante, mostrando como as forças malignas do Um Anel se infiltraram na sociedade e de como os homens são fracos ao resistir a tal poder.

O Senhor dos Anéis é possivelmente o único livro que consegue ser exaustivo a ponto de tornar a leitura quase dolorosa, mas ser tão viciante que torna ainda mais dolorosa não ler o livro do lê-lo.

Excerto

O balrog alcançou a ponte. Gandalf parou no meio do arco, apoiando-se no cajado com a mão esquerda, mas na outra mão brilhava Glamdring, fria e branca. O inimigo parou outra vez, enfrentando-o, e a sombra à sua volta se espalhou como duas grandes. Levantou o chicote, e as correias zuniram e estalaram. Saía fogo de suas narinas. Mas Gandalf ficou firme.

— Você não pode passar — disse ele. Os orcs estavam quietos, e fez-se um silêncio mortal. — Sou um servidor do Fogo Secreto, que controla a chama de Anor. Você não pode passar. O fogo negro não vai lhe ajudar em nada, chama de Udûn. Volte para a Sombra! Não pode passar.

O balrog não fez sinal de resposta. O fogo nele pareceu se extinguir, mas a escuridão aumentou. Avançou devagar para a ponte, e de repente saltou a uma enorme altura, e suas asas se abriram de parede a parede, mas ainda se podia ver Gandalf, brilhando na escuridão; parecia pequeno, e totalmente sozinho: uma figura cinzenta e curvada, como uma árvore encolhida perante o início de uma tempestade.

Saindo da sombra, uma espada vermelha surgiu, em chamas.

Glamdring emanou um brilho branco em resposta.

Houve um estrondo e um golpe de fogo branco. O balrog caiu para trás e sua espada voou, partindo-se em muitos pedaços que se derreteram. O mago se desequilibrou na ponte, deu um passo para trás e mais uma vez ficou parado.

— Você não pode passar! — disse ele.


  1. ISBN e editora referentes ao volume único contendo todos os livros da saga. 

  2. Que é um verdadeiro teste de aceitação para a Sociedade do Anel :) 

  3. Na primeira edição de O Hobbit, o capítulo “Advinhas no Escuro”, discorre de forma diferente, com Gollum cedendo voluntariamente o Um Anel para Bilbo. No entanto, depois do início do desenvolvimento de O Senhor dos Anéis, Tolkien reescreveu este capítulo para adaptá-lo à mitologia do novo livro, sendo a nova versão publicada na 2ª edição. 

  4. Uma vez que Tolkien escreveu O Senhor dos Anéis como um só livro que foi dividido somente para ser publicado. 

2001: Uma Odisseia no Espaço

Ficha técnica

Poster do filme

  • Título original: 2001: A Space Odyssey
  • Lançamento: 2 de abril de 1968
  • Duração: 142min
  • Direção: Stanley Kubrick
  • Produção: Stanley Kubrick
  • Roteiro:
    • Stanley Kubrick
    • Arthur C. Clarke
  • Elenco:
    • Keir Dullea
    • Gary Lockwood
    • William Sylvester
    • Douglas Rain
  • Gênero: Ficção Científica & Drama
  • Idioma: Inglês
  • Estúdio:
    • Metro-Goldwyn-Mayer
    • Stanley Kubrick Productions
  • Sinopse: Desde a “Aurora do Homem” (a pré-história), um misterioso monólito negro parece emitir sinais de outra civilização interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, uma equipe de astronautas liderados pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) e por Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada à Júpiter para investigar o enigmático monólito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000. Entretanto, no meio da viagem HAL entra em pane e tenta assumir o controle da nave, eliminando um a um os tripulantes.

Resenha

Alerta: O seguinte texto contem spoilers.

Com seu ritmo lento e roteiro que, à primeira vista, incompreensível, 2001: Uma Odisseia no Espaço é, como bem descreveu James Cameron, “um filme que não deveria funcionar, mas funciona”. E não só funciona, impressiona como poucos e faz o espectador pensar como quase nenhum. Criado conjuntamente por Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke e lançado tanto como filme quanto livro, 2001 é um filme até hoje, 46 anos após o seu lançamente, inovador.

Narrando a interferência do misterioso monólito — presumivelmente de origem extraterrestre — sobre a humanidade desde os seus primórdios, 2001: Uma Odisseia no Espaço difere fundamentalmente da maior parte das histórias de ficção por não ser centrado nos personagens, nem mesmo em sua própria história. O foco é a ideia que o filme apresenta, a da vida superinteligente em outros pontos do Cosmos além da Terra1, representada no monólito, que leva o ser humano a uma constante evolução (sendo esta outra ideia importante para o filme), do primata para o homo sapiens para um homo sapiens capaz de viajar para outros planetas para, por fim, a criança estelar, o estado de evolução que somente o capitão David Bowman atingiu.

Contudo, por ser um filme centrado nas suas ideias, os personagens são unidimensionais, podendo ser substituídos por quaisquer outros personagens genéricos — com exceção, talvez, do HAL9000. O computador de bordo da Discovery é o mais “humano” dos personagens de 2001, o que mais traz empatia (especialmente na cena de sua desativação). Hal — como o filme insinua e continuação 2010 afirma claramente — não foi o culpado pelo seu colapso.

É interessante aqui notar que foi o Monólito que deu ao homem a inteligência suficiente para criar Hal e por fim o Monólito que levou Bowman para além do infinito, salvando o capitão do mesmo Hal.

O filme também trata com capricho ímpar questões científicas importantes, como o silêncio no espaço — raramente lembrado em outros filmes do gênero2 — e o design das naves espacias, ideais para os ambientes de gravidade simulada que o filme apresenta. Destacam-se também os efeitos especiais que continuam verossímeis quase meio século após o lançamento do filme.

Sem contar com diálogos ao longo de 88 minutos, o silêncio é substituído por uma trilho sonora memorável, com destaque para a triunfal “Also sprach Zarathustra” de Richard Strauss, que entrou para o imaginário popular através de 2001: Uma Odisseia no Espaço.

Visto no século XXI, 2001 é único. mesmo incluindo a surreal parte final “Júpiter e além do infinito” e os vários pontos subjetivos do roteiro, 2001: Uma Odisseia no Espaço consegue ser extremamente inteligente e manter a coerência interna sob a perspectiva de cada possível interpretação do espectador.

Referências em Wall-E

Alerta: O seguinte texto contem spoilers de Wall-E.

A animação da Disney, apesar de sua temática radicalmente diferente, possui vários pontos em comum com o clássico de Kubrick.

O primeiro e mais notável é a semelhança entre HAL9000 e AUTO, o piloto automático da nave Axion. Além da semelhança física óbvia entre os dois computadores, ele têm em comum a vontade indomável de completar as suas missões, o conflito resultante de seguir ordens secretas dos governantes e o final culminando em suas desativações pelos comandantes de suas respectivas naves.

Outro ponto marcante é o uso da música “Also sprach Zarathustra” no clímax do filme de Wall-E, além da viagem de volta da Axion que lembra visualmente a sequência de “Júpiter e além do infinito”. A planta encontrada por EVA também pode ser associada — forçando um pouco a linha de raciocínio — com o Monólito, por ser o objeto motivador da história com o poder de mudar o curso da história humana.

Trailer


  1. E além do Infinito, por assim dizer. 

  2. O exemplo mais imediato é a explosão da Estrela da Morte no episódio IV de Star Wars