Fernando Miguel Hahne

Assuntos aleatórios

2001: Uma Odisseia no Espaço

Ficha técnica

  • Título original: 2001: A Space Odyssey
  • Lançamento: 2 de abril de 1968
  • Duração: 142min
  • Direção: Stanley Kubrick
  • Produção: Stanley Kubrick
  • Roteiro:
    • Stanley Kubrick
    • Arthur C. Clarke
  • Elenco:
    • Keir Dullea
    • Gary Lockwood
    • William Sylvester
    • Douglas Rain
  • Gênero: Ficção Científica & Drama
  • Idioma: Inglês
  • Estúdio:
    • Metro-Goldwyn-Mayer
    • Stanley Kubrick Productions
  • Sinopse: Desde a “Aurora do Homem” (a pré-história), um misterioso monólito negro parece emitir sinais de outra civilização interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, uma equipe de astronautas liderados pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) e por Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada à Júpiter para investigar o enigmático monólito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000. Entretanto, no meio da viagem HAL entra em pane e tenta assumir o controle da nave, eliminando um a um os tripulantes.

Resenha

Alerta: O seguinte texto contem spoilers.

Com seu ritmo lento e roteiro que, à primeira vista, incompreensível, 2001: Uma Odisseia no Espaço é, como bem descreveu James Cameron, “um filme que não deveria funcionar, mas funciona”. E não só funciona, impressiona como poucos e faz o espectador pensar como quase nenhum. Criado conjuntamente por Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke e lançado tanto como filme quanto livro, 2001 é um filme até hoje, 46 anos após o seu lançamente, inovador.

Narrando a interferência do misterioso monólito — presumivelmente de origem extraterrestre — sobre a humanidade desde os seus primórdios, 2001: Uma Odisseia no Espaço difere fundamentalmente da maior parte das histórias de ficção por não ser centrado nos personagens, nem mesmo em sua própria história. O foco é a ideia que o filme apresenta, a da vida superinteligente em outros pontos do Cosmos além da Terra1, representada no monólito, que leva o ser humano a uma constante evolução (sendo esta outra ideia importante para o filme), do primata para o homo sapiens para um homo sapiens capaz de viajar para outros planetas para, por fim, a criança estelar, o estado de evolução que somente o capitão David Bowman atingiu.

Contudo, por ser um filme centrado nas suas ideias, os personagens são unidimensionais, podendo ser substituídos por quaisquer outros personagens genéricos — com exceção, talvez, do HAL9000. O computador de bordo da Discovery é o mais “humano” dos personagens de 2001, o que mais traz empatia (especialmente na cena de sua desativação). Hal — como o filme insinua e continuação 2010 afirma claramente — não foi o culpado pelo seu colapso.

É interessante aqui notar que foi o Monólito que deu ao homem a inteligência suficiente para criar Hal e por fim o Monólito que levou Bowman para além do infinito, salvando o capitão do mesmo Hal.

O filme também trata com capricho ímpar questões científicas importantes, como o silêncio no espaço — raramente lembrado em outros filmes do gênero2 — e o design das naves espacias, ideais para os ambientes de gravidade simulada que o filme apresenta. Destacam-se também os efeitos especiais que continuam verossímeis quase meio século após o lançamento do filme.

Sem contar com diálogos ao longo de 88 minutos, o silêncio é substituído por uma trilho sonora memorável, com destaque para a triunfal “Also sprach Zarathustra” de Richard Strauss, que entrou para o imaginário popular através de 2001: Uma Odisseia no Espaço.

Visto no século XXI, 2001 é único. mesmo incluindo a surreal parte final “Júpiter e além do infinito” e os vários pontos subjetivos do roteiro, 2001: Uma Odisseia no Espaço consegue ser extremamente inteligente e manter a coerência interna sob a perspectiva de cada possível interpretação do espectador.

Referências em Wall-E

Alerta: O seguinte texto contem spoilers de Wall-E.

A animação da Disney, apesar de sua temática radicalmente diferente, possui vários pontos em comum com o clássico de Kubrick.

O primeiro e mais notável é a semelhança entre HAL9000 e AUTO, o piloto automático da nave Axion. Além da semelhança física óbvia entre os dois computadores, ele têm em comum a vontade indomável de completar as suas missões, o conflito resultante de seguir ordens secretas dos governantes e o final culminando em suas desativações pelos comandantes de suas respectivas naves.

Outro ponto marcante é o uso da música “Also sprach Zarathustra” no clímax do filme de Wall-E, além da viagem de volta da Axion que lembra visualmente a sequência de “Júpiter e além do infinito”. A planta encontrada por EVA também pode ser associada — forçando um pouco a linha de raciocínio — com o Monólito, por ser o objeto motivador da história com o poder de mudar o curso da história humana.

Trailer


  1. E além do Infinito, por assim dizer. 

  2. O exemplo mais imediato é a explosão da Estrela da Morte no episódio IV de Star Wars

Há 45 anos atrás — 20 de julho de 1969 — um homem deu pequeno passo e humanidade deu o seu maior salto. Os astronautas da Apollo deixaram na Lua uma placa, um memorial para eternidade com a seguinte mensagem:

Aqui homens do planeta Terra pela primeira vez colocaram os pés na Lua. Julho de 1969, A.D. Viemos em paz por toda humanidade.

No vídeo acima, estão registradas as atividades em solo lunar da equipe da Apollo 11. permitindo que a glória desta conquista incrível de uma espécie que há apenas meio século havia inventado o avião perdurare para sempre.

E se você não acredita em nada disso, assista esse vídeo.

Espetacular show em tributo ao Led Zeppellin no Kennedy Center Honors de 2012, com a presença dos remanescentes da banda na plateia.

Exportar biblioteca do iTunes para o Rhythmbox

Depois de uma temporada no Windows 7, retornei para o meu amado Ubuntu (na versão 14.04 LTS Trusty Tahr). Contudo, o meu período no Windows me fez gostar muito do iTunes, o player e gerenciador de música da Apple. E usando constantemente o programa acabei avaliando milhares de músicas1 e gerando estatísticas de reprodução sobre cada uma delas. E na hora de migrar para o Ubuntu não quis perder todos esses dados.

Como o iTunes não está disponível para Linux, o jeito é usar o Rhythmbox, player padrão do Ubuntu. Quanto a exportação dos dados propriamente dita, o primeiro passo é copiar todas as músicas para a pasta Música do Ubuntu. Agora localize nos seus arquivos do Windows o arquivo iTunes Music Library.xml (que deve estar localizado na pasta iTunes Media) e o copie para a sua pasta pessoal.

Depois baixe e descompacte esse arquivo na sua pasta pessoal. Agora é só executar o seguinte comando no terminal:

python iTunesToRhythm.py -w ITunes\ Music\ Library.xml ~/.local/share/rhythmbox/rhythmdb.xml

Espere a execução do script e pronto, os dados da sua biblioteca do iTunes foram transferidos para o Rhythmbox.

Referências e mais informações


  1. Literalmente. Eu tenho 2595 músicas que gerenciava pelo iTunes. 

O Cavaleiro dos Sete Reinos

Resenha do livro de contos do mesmo universo das Crônicas de Gelo e Fogo. Leia também as resenhas desta saga.


Ficha técnica

  • Título: O Cavaleiro dos Sete Reinos
  • Série: As Crônicas de Gelo e Fogo — As Aventuras de Dunk & Egg
  • Autor: George R. R. Martin
  • ISBN: 978-85-8044-973-0
  • Editora: Leya, São Paulo
  • Sinopse: Com quase dois metros de altura, Dunk era o escudeiro de um cavaleiro andante, mais conhecido pelo tamanho e força descomunais do que pela inteligência. Ao se tornar cavaleiro, resolve adotar o nome de Sor Duncan, o Alto.

    Em O Cavaleiro Andante, George R. R. Martin conta a história do primeiro encontro de Dunk e Egg, seu futuro escudeiro, e as aventuras dos dois no torneio de Vaufreixo. A narrativa de A Espada Juramentada se passa de um ano depois, quando os dois amigos estão a serviço de um cavaleiro com terras na Campina. Por fim, a história de O Cavaleiro Misterioso coloca Dunk e Egg no centro de uma conspiração para derrubar a dinastia Targaryen do Trono de Ferro.

    As aventuras de Dunk e Egg trazem para os fãs de As Crônicas de Gelo e Fogo a oportunidade única de vivenciar outro momento da história de Westeros e de conhecer e analisar fatos que teriam desdobramentos noventa anos depois, na guerra dos tronos.

Resenha

Com três contos publicados em diferentes antologias em 1998, 2003 e 2010, O Cavaleiro dos Sete Reinos é como um prequel das Crônicas de Gelo e Fogo1. Narrando os feitos de um jovem cavaleiro andante órfão, de origens humildes e sem nenhum dom em especial além de seu tamanho e força — mais um bom coração — que toma como escudeiro um menino esperto, com a língua afiada e que é bem mais do que aparenta ser. Assim Dunk e seu escudeiro Egg começam uma amizade cativante que terá impacto na história dos Sete Reinos, mesmo quase um século depois, nos tempos de A Guerra dos Tronos.

Cada um dos contos cobre um curto período de tempo e segue uma mesma estrutura, com a jornada de Dunk para algum local onde algo inesperado e grandioso acontece e colocando em confusões os dois protagonistas. E no fim um julgamento por combate decide tudo. Pronto, simples assim, sem envolver as intermináveis de interconexões e personagens infindáveis que as Crônicas de Gelo e Fogo contêm.

Entretanto, essa simplicidade deixa transparente a qualidade impecável da escrita de Martin e permitem ao leitor acompanhar uma história com um tom muito mais leve e otimista do que estamos acostumados com as histórias do mundo de gelo e fogo. Chega a ser meio esquisito acompanhar uma história de Martin com tão poucas mortes :P.

Não sendo necessário já conhecer as Crônicas para ler os contos com Dunk e Egg — o oposto também é verdadeiro — O Cavaleiro dos Sete Reinos é ideal seja para quem quer começar a se aventurar no universo criado por George R. R. Martin, seja para aqueles que já leram os cinco livros publicados da saga.

Referências nas Crônicas de Gelo e Fogo

Alerta: A partir deste ponto, o texto contem spoilers das Crônicas de Gelo e Fogo e de O Cavaleiro dos Sete Reinos.

Os dois protagonistas de O Cavaleiro dos Sete Reinos são personagens muito importantes na história de Westeros. Egg foi o Rei Aegon V, o Improvável, elevado ao trono pelo Grande Conselho, como o Senhor Comandante Mormont explica para Jon em A Fúria dos Reis. Ele ascendeu ao Trono de Ferro depois que seu irmão, o meistre Aemon — aquele mesmo da Patrulha da Noite — recusou o trono.

Também consta que uma das filhas de Egg se casou com um Baratheon e tornou-se mãe de Steffon Baratheon e, consequentemente, avó de Robert, Stannis e Renly. Dando assim um mínimo de suporte para a ascensão de Robert ao Trono de Ferro. E através das memórias de Sor Barristan Selmy também se sabe que Egg permitiu aos seus filhos escolherem suas esposas por amor, tal como ele fez, ao invés de impor casamentos arranjados. Segundo Selmy, isso levou a ressentimento e traição entre os senhores, resultando na “tragédia de Solarestival”, ainda não esclarecida na saga.

Sor Duncan, o Alto, se tornou também o Comandante da Guarda Real e foi citado em um capítulo Jaime, em A Tormenta de Espadas, quando Jaime folheia o Livro Branco. Também é citado que Sor Barristan Selmy, o Ousado, tem entre os seus feitos ter derrotado Duncan no torneio de inverno de Porto Real2.

Em O Festim dos Corvos, Brienne pinta o seu escudo com armas correspondentes às de Dunk, cujo escudo ela lembra ter visto na sala de armas do pai. Mas como o escudo de Sor Duncan foi parar em Tarth, ainda não se sabe.

No quinto volume da saga, A Dança dos Dragões, Bran tem uma visão de um cavaleiro muito alto beijando uma jovem mulher em Winterfell. Possivelmente trata-se de Duncan e a Velha Ama, podendo vir daí uma possível explicação para a altura de Hodor. E isso é complementado pelo fato de que O Cavaleiro dos Sete Reinos termina com Dunk e Egg pretendendo seguir para o Norte, para Winterfell e a Muralha. E o possível título do próximo conto é As Lobas de Winterfell3.

Os contos com Egg e Dunk, por se passarem pouco tempo depois da Rebelião Blackfyre, dão muitas informações sobre a mesma, incluindo uma descrição da Batalha do Capim Vermelho — o capim não era vermelho antes de a batalha começar — dada por Eustace no segundo conto e uma conspiração para iniciar uma nova guerra para colocar os Blackfyre no Trono de Ferro. E isso tudo inclui algumas informações sobre Brynden Rivers, o Corvo de Sangue.

Brynden Rivers foi um bastardo legitimado do Rei Aegon IV e Mylessa Blackwood. Mas na Rebelião Blackfyre ele foi apoiador dos Targaryen e foram seus arqueiros — os “Dentes de Corvo” — que mataram Daemon Blackfyre e seus dois filhos gêmeos, Aegon e Aemon, praticamente pondo fim à Rebelião.

Além da importância dos Blackfyre para a história dos Sete Reinos e o desenvolvimento futuro da saga4, Brynden Rivers tem um papel ainda maior por ser a aposta quase certeira para a identidade do Corvo de Três Olhos que chama Brandon Stark para além da Muralha.

Entre as muitas evidências que suportam essa teoria estão a descrição que Bran dá do Corvo de Três Olhos bater perfeitamente com a de Brynden Rivers: pele albina, um olho faltante, o outro olho vermelho e longos cabelos brancos. Além disso, há fato de que o próprio Corvo de Três Olhos diz que seu nome de batismo é Brynden e que o Corvo de Sangue ter sido Senhor Comandante da Patrulha da Noite — e o Corvo de Três Olhos ter sido patrulheiro:

— Um… corvo? — A voz do pálido senhor era seca. Os lábios moviam-se vagarosamente, como se tivessem desaprendido a formar palavras. — Certa vez, sim. Negro de trajes e negro de sangue. — As roupas que vestia estavam apodrecidas e desbotadas, manchadas com musgo e meio comidas por vermes, mas um dia tinham sido negras. — Tenho sido muitas coisas, Bran. Agora sou como você me vê, e agora entenderá por que eu não podia ir até você… exceto em sonhos. Observei-o por um longo tempo, observei-o com mil olhos e com um. Vi você nascer, e o senhor seu pai antes de você. Vi seus primeiros passos, ouvi sua primeira palavra, fiz parte de seu primeiro sonho. Estava observando quando caiu. E agora finalmente você veio até mim, Brandon Stark, embora a hora seja tardia.

Trecho de A Dança dos Dragões.

E para completar, Brynden foi famoso por seus poderes de feitiçaria e por saber de tudo que acontecia nos Sete Reinos. (Antes de ser Mão do Rei ele foi Mestre dos Sussurros, mesmo cargo que Varys ocupou.) Um ditado popular em Westeros dizia “Quantos olhos possui Lorde Corvo de Sangue? Mil olhos, e mais um!” Brynden é filho de Mylessa Blackwood, cuja casa vem da linhagem dos Primeiros Homens e é uma das poucas ao sul do Gargalo que cultua os antigos deuses do Norte.

Mas o que Brynden quer com Brandon e quais mistérios das Crônicas de Gelo e Fogo que as aventuras de Dunk e Egg ainda esclarecerão, só esperando para saber.

Excerto

— Aceitarei seu filho como meu escudeiro, Vossa Graça, mas não em Solarestival. Não por um ano ou dois. Ele já viu castelos suficientes, imagino. Só o aceitarei se puder levá-lo comigo para a estrada — apontou para a velha Castanha. — Ele montará meu corcel, vestirá meu manto velho e manterá minha espada afiada e minha cota de malha limpa. Dormiremos em estalagens e estábulos e, de vez em quando, nos salões de algum cavaleiro com terras ou senhor de menor importância, e talvez sob as árvores quando for necessário.

O príncipe Maekar lhe deu um olhar incrédulo.

— O julgamento abalou seu juízo, homem? Aegon é um príncipe real. O sangue do dragão. Príncipes não são feitos para dormir em valas e comer carne salgada dura. — Viu que Dunk hesitou. — O que tem medo de me dizer? Diga o que desejar, sor.

— Daeron nunca dormiu em uma vala, aposto — Dunk disse, muito baixinho. — E toda a carne que Aerion já comeu era grossa, tenra e ensanguentada, provavelmente.

Maekar Targaryen, Príncipe de Solarestival, olhou Dunk da Baixada das Pulgas por um longo tempo, a mandíbulas movendo-se em silêncio sob a barba prateada. Por fim, deu meia-volta e afastou-se, sem dizer uma palavra. Dunk o ouviu partir com seus homens. Quando se foram, o único som era o tênue zumbido das asas da libélula que voava rente sobre a água.


O menino chegou na manhã seguinte, no momento em que o sol nascia. Usava botas velhas, calção marrom, uma túnica de lã marrom e um manto velho de viagem.

— O senhor meu pai diz que tenho de servi-lo.


  1. Já vi a comparação de que o O Cavaleiro dos Sete Reinos é para as Crônicas de Gelo e Fogo o mesmo que O Hobbit é para O Senhor dos Anéis

  2. Considerando que Sor Barristan tem algo em torno de sessenta anos nas Crônicas, essa luta deve ter acontecido na juventude de Selmy e na velhice de Dunk. 

  3. Tradução livre de The She-Wolves of Winterfell

  4. Um certo dragão de pantomineiro deve aparecer (ou então já apareceu e deve ser desmascarado) nas Crônicas de Gelo e Fogo.